Explorando o potencial químico e biológico de Spondias tuberosa Arruda: da tradição à ciência
Palavras-chave:
Spondias tuberosa, Umbu, Planta Medicinal, FitoquímicaResumo
Recentemente, a investigação de plantas medicinais para a descoberta de novos constituintes terapêuticos tem ganhado considerável destaque. Nos últimos anos, várias espécies nativas brasileiras têm recebido maior atenção, dada à rica biodiversidade do país. Entre essas espécies, Spondias tuberosa Arruda (Anacardiaceae), popularmente conhecida como umbuzeiro, é uma planta nativa adaptada ao ambiente semiárido brasileiro, caracterizada por condições climáticas desafiadoras. Suas raízes tuberosas, capazes de armazenar água, conferem-lhe resiliência durante longos períodos de seca, sendo considerada sagrada por tribos indígenas devido à sua capacidade de florescer e frutificar durante estações secas. Seus usos populares na medicina tradicional abrangem uma ampla gama de condições, incluindo distúrbios no sistema endócrino, metabólico, gastrointestinal, respiratório, entre outros, graças às substâncias bioativas que conferem propriedades biológicas e potencial terapêutico de interesse. A composição química de S. tuberosa é influenciada por diversos fatores, incluindo condições ambientais, genéticas e fenotípicas, resultando em uma notável diversidade de metabólitos secundários, como fenólicos, carotenoides e flavonoides. Suas propriedades biológicas incluem as atividades antioxidantes, antidiabéticas, anti-inflamatórias e antimicrobianas. Os carotenoides e fenólicos, presentes em altas concentrações na espécie, desempenham um papel importante nessas atividades. Em suma, S. tuberosa emerge como uma fonte natural promissora de substâncias bioativas com potencial uso medicinal. No entanto, é crucial que a pesquisa científica progrida para confirmar sua eficácia e segurança em aplicações terapêuticas.
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