Correlação entre a qualidade de vida e os sintomas em mulheres diagnosticadas com endometriose profunda infiltrativa
Resumo
1 Introdução
A Endometriose Profunda Infiltrativa (EPI) definida como a presença de estroma endometriais fora da cavidade uterina que penetram em estruturas adjacentes profundas, com prevalência na fase reprodutiva, desencadeia vários sintomas debilitantes que interferem na qualidade vida (QV) [1; 2]. A forma infiltrativa incide em cerca de 20% das mulheres com endometriose [3].
2 Objetivo
Analisar o impacto na QV de mulheres com EPI e sua relação com os sintomas apresentados.
3 Metodologia
Trata-se de um estudo transversal, descritivo. A coleta de dados foi realizada com um grupo de mulheres com diagnóstico médico de EPI na cidade de Muriaé-MG por meio do Google Forms. Os critérios para inclusão foram mulheres que apresentam a doença, com idade entre 18 a 50 anos. Foram utilizados dois questionários, sendo um para avaliar questões sociodemográfica e o Short Form – 36 (SF-36) avaliando a QV. Para a correlação foi realizado o teste t de student e ANOVA. O estudo foi aceito pelo Comitê de Ética do Centro Universitário Faminas Muriaé pelo número do parecer 4.756.490.
4 Resultado e Discussão
Participaram do estudo 29 mulheres com idade entre 19 a 48 anos, sendo a maioria casada 55,2%; 58,6% não possuíam filhos; 48,4% relataram ter boa QV, em relação aos sintomas, 48,3% apresentam dismenorreia; 24,1% dor pélvica crônica; 20,6% dispareunia. Através do SF-36 foram observados escores baixos resultantes dos domínios, demostrando impacto na QV de mulheres com EPI, além da influência dos sintomas nos aspectos emocionais, funcionais e vitalidade. Ademais, o sintoma que provocou piora frequente na QV foi a dor pélvica crônica com valor de p = 0,0028 significativo. Diante disso, seguindo a mesma linha de pesquisa, estudos [4], analisaram uma relação direta entre escores mais baixos no SF-36 com a manifestação dos sintomas, intensidade da dor e redução da QV, para mais, observou que o estado geral de saúde de mulheres com EPI está ligado com os aspectos biopsicossociais. Em uma analise [5], notaram uma relação da QV de mulheres com EPI e suas pontuações frente aos sintomas, observando que a dismenorreia promove maior impacto na QV comparado aos outros sintomas, e que as mesmas tiveram melhores resultados nos domínios físicos do que no domínio psicológico, considerando direta influência nos fatores biopsicossociais.
5 Conclusão
Portanto, percebe-se que a qualidade de vida em mulheres com EPI através do SF-36 é considerada ruim, ou seja, é desenvolvida uma piora na QV frente aos sintomas manifestados pela patologia, o qual influência nos aspectos psicológicos, emocionais, físicos e sociais refletindo no cotidiano dessas mulheres.
Referências
NAVARRO, R.; PODER, L.; SUN, D.; JHA, P. Endometriosis in pregnancy. Abdominal Radiology. 2020.
PORTO, B. T. D. C. et al. Classificação histológica e qualidade de vida em mulheres portadoras de endometriose. Rev Bras Ginecol Obstet, v. 37, n. 2, p. 87-93, 2015.
RAMOS, E. L. A.; SOEIRO, V. M. S.; RIOS, C. T. F. Mulheres convivendo com endometriose: percepções sobre a doença. Ciência&Saúde, v. 11, n. 3, p. 190-197, 2018.
MINSON, F. P. et al. Importância da avaliação da qualidade de vida em pacientes com endometriose. Rev Bras Ginecol Obstet, v. 34, n. 1, p. 11-15, 2012.
YELA, D. A.; QUAGLIATO, I. D. P; BENETTI-PINTO, C. L. Quality of Life in Women with Deep Endometriosis: A Cross-Sectional Study. Rev Bras Ginecol Obstet, v. 42, n. 2, p. 90-95, 2020.
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