Graduação em medicina e odontologia: análise da percepção dos docentes sobre seus papéis.
Palavras-chave:
Docentes, Educação médica, Odontologia, Capacitação de professoresResumo
O objetivo deste estudo foi analisar a percepção de docentes dos cursos de Medicina e Odontologia quanto ao seu papel na formação do egresso, identificando concepções pedagógicas, a preocupação com a autonomia do educando e a presença da alteridade em suas práticas. Trata-se de um estudo transversal, exploratório e qualitativo, conduzido por meio da análise de conteúdo de entrevistas não estruturadas. A amostragem foi proposital, definida por saturação, totalizando 12 docentes entrevistados. A maioria era do sexo masculino, com média de 42 anos de idade, 18 anos de formados e 10 anos de experiência docente. Dez possuíam titulação de mestre ou doutor e sete exerciam funções de gestão acadêmica. Os resultados evidenciaram indefinição quanto à concepção pedagógica predominante, refletindo as influências da trajetória pessoal dos docentes enquanto educandos. Embora se observe preocupação com a autonomia discente, esta não se traduz em práticas capazes de orientar o aluno como construtor do próprio conhecimento. A percepção da alteridade mostrou-se ainda mais incipiente, restrita ao reconhecimento parcial do discente ou do paciente, sem integrar plenamente a dimensão dialógica do processo ensino-aprendizagem. Conclui-se que, para alcançar o perfil de egresso previsto pelas Diretrizes Curriculares Nacionais, é necessário investir na formação e profissionalização docente, com ênfase em processos de sensibilização e no desenvolvimento de competências pedagógicas específicas. Somente assim será possível consolidar práticas dialógicas e emancipadoras, alinhadas à formação de profissionais críticos, éticos e socialmente comprometidos.
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